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Rafaella novembro 9, 2017 Nenhum Comentário

O mercado imobiliário brasileiro voltou a crescer. Um dos principais setores atingidos pela crise econômica esboçou reação positiva no final do primeiro semestre, e a expectativa é que o bom desempenho se mantenha ao longo do segundo, trazendo fôlego para a consolidação de uma retomada em 2018.

Pesquisa divulgada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC) mostrou aumento de 17,4% nas vendas de imóveis e 59,8% no número de lançamentos. O estudo considerou o período entre abril e junho em comparação com o intervalo entre janeiro e março. A queda de preços das moradias é apontada como o principal motivo para o crescimento.

Na avaliação do presidente da CBIC, José Carlos Martins, os consumidores estão aproveitando o momento de preços mais baixos para comprar. Com o aumento da demanda, as construtoras retomaram obras que estavam paralisadas. “O mercado tem muitas oportunidades, e as pessoas voltaram a buscar o sonho da casa própria.” Ele explica que a redução de preços é reflexo da crise econômica, que, nos últimos dois anos, fez com que o setor tivesse aumento do estoque de moradias.

De acordo com o economista e coordenador da pesquisa, Celso Luiz Petrucci, os imóveis com dois dormitórios predominam na preferência dos clientes na hora de comprar e, também, os lançamentos feitos pelas empresas no primeiro semestre de 2017.

JF reflete cenário nacional

O mercado imobiliário juiz-forano também percebeu aquecimento nos últimos meses. Embora não haja um indicador econômico do setor, empresas têm registrado crescimento gradativo das vendas, dos lançamentos e, também, das locações. Isso tem contribuído para expectativas mais otimistas com relação ao cenário que será desenhado em 2018.

O diretor da Brasil Imóveis, Heuder Santana, relata que os últimos seis meses configuraram o período de melhor desempenho do setor imobiliário local. “Depois de passarmos por um momento de instabilidade econômica, com queda nas vendas, tem sido notório o aumento de transações e a procura por imóveis, o que nos gera uma expectativa positiva para os próximos meses.”

Segundo ele, no período de agosto a setembro, a Brasil Imóveis registrou elevação de 60% nas vendas e 40% nas locações em comparação com igual período do ano passado. “A nossa expectativa é muito positiva para o encerramento de 2017, diante da crescente demanda por imóveis, quanto para 2018, com as previsões de desaceleração da inflação, queda das taxas de juros e aumento do PIB.”

Para o gerente de vendas do Grupo Almar, Leonardo Vieira, o bom desempenho reflete as oscilações inerentes ao setor. “O mercado imobiliário funciona em ciclos, com altos e baixos. Historicamente, depois de um tempo de baixas, vem uma significativa melhora”, analisa. Para ele, a redução da taxa de juros Selic, que passou de 8,25% para 7,5%, irá facilitar o financiamento imobiliário, o que deve trazer resultados de vendas ainda melhores.

 

Demanda

De acordo com o setor, os apartamentos de dois dormitórios, com valores até R$ 350 mil e localizados no Centro e em bairros como São Mateus, Cascatinha, Santa Helena, Alto dos Passos e Bom Pastor, são os mais procurados pelos juiz-foranos para a compra.

Aquecimento também atinge investidores

O crescimento da demanda por imóveis na cidade não se restringe ao público que deseja adquirir a casa própria. Na imobiliária Souza Gomes, a venda destinada à revenda cresceu 20% no primeiro semestre e segue em expansão. “Como causa dessa melhora no cenário de compra e venda de imóveis, houve um aumento na procura por opções avulsas, que são os imóveis de revenda”, explica o diretor Diogo Souza Gomes, que também é vice-presidente da Associação Juiz-forana de Administradores de Imóveis (Ajadi).

Para ele, o resultado é fruto do aumento da confiança dos investidores. “Não é apenas o mercado imobiliário que está reagindo e voltando a ter confiança. As pessoas estão mais seguras para investir”, diz. “Chegou-se num consenso de que o trabalho deve ser feito com ainda mais competência e inovação para atender os clientes, independentemente de como a política ou economia do país está. As pessoas continuam demandando moradia, e é nesta necessidade que as imobiliárias e construtoras devem concentrar esforços.”

Preços mais baixos são principal atrativo

O presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, avalia que o crescimento da demanda por imóveis deve continuar nos próximos meses. “Este é um tipo de demanda que sempre vai existir, porque as pessoas mudam de cidade, se casam, e querem sair do aluguel. O sonho da casa própria é um dos principais desejos do brasileiro. A questão é que o momento econômico estava fazendo com que elas adiassem esta realização.”

Ele explica que, com o aumento da oferta e a queda da demanda nos últimos dois anos, os preços dos imóveis diminuíram e se estabilizaram. “Agora o consumidor está enxergando a possibilidade de fazer negócio por conta da atratividade dos preços.”

Em Juiz de Fora, o empresário Wilson Rezende Franco, um dos sócios do Grupo Rezato, confirma a informação. “O ano de 2017 começou com valores até 25% mais baratos em comparação com 2014. Isto por si só já facilita a aquisição. O momento também é propício à compra, pois o mercado está aberto às negociações. Por conta destas condições favoráveis, nós começamos a enxergar o início de uma reação.”

Construtoras fazem prospecção

O Conselho Regional de Corretores de Imóveis em Minas Gerais (Creci-MG) concorda. “Este ano foi atípico para o setor. No primeiro semestre, tentamos nos adequar às mudanças econômicas e políticas pelas quais passamos. Neste cenário, as empresas que conseguiram inovar e se readaptar colheram bons frutos. Já no segundo semestre, momento em que percebemos uma alavancada nos negócios, houve uma melhora que compensou estas dificuldades. Para 2018, esperamos crescimento seguindo este impulso da segunda metade de 2017”, analisa a diretora Andréa do Carmo Alves.O presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, sinaliza que, em número de vendas, ainda é preciso ganhar mais fôlego. “Podemos dizer que o mercado ensaia uma retomada, pois o aquecimento das vendas acontece com os preços estabilizados em baixa.” Para ele, a situação pode ser melhor em 2018.

De acordo com o vice-presidente da Ajadi, Juiz de Fora deve seguir este ritmo. “Como indicativo de que 2018 será mais expressivo para o mercado imobiliário da cidade, temos dado consultoria para construtoras que querem lançar empreendimentos no ano que vem e buscam opções como localização e estrutura do imóvel.”

Mais de 20 lançamentos de grande porte em 2017

Com a maior movimentação dos consumidores em busca de um imóvel, as construtoras de todo o país decidiram dar continuidade aos projetos que estavam paralisados por conta da crise. Em Juiz de Fora, mais de 20 lançamentos de grande porte ocorreram ao longo de 2017. “Até o momento, os apartamentos mais compactos e que oferecem ao cliente facilidades de financiamento, como é o caso do parcelamento pelo programa Minha Casa Minha Vida, representam os principais lançamentos na cidade”, afirma o diretor da imobiliária Souza Gomes e vice-presidente da Associação Juiz-forana de Administradores de Imóveis (Ajadi), Diogo Souza Gomes.

Ele destaca que já existe uma movimentação para o lançamento de outros tipos de imóveis, e a tendência é que as opções se diversifiquem ao longo dos próximos meses.

Aluguéis

O segmento de locação também tem se beneficiado com o aumento da demanda dos consumidores. “A chegada de imóveis recém-construídos trouxe ótimas opções de aluguéis em prédios modernos e destinados à primeira locação”, destaca Diogo.

Fonte: Tribuna de Minas / Foto: Marcelo Ribeiro

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